Archive for the Dela Category

11 de Março

Posted in Dela on março 11, 2011 by Maely

Já faz mais de um mês que mais uma vez nossos caminhos se desencontraram e pra te falar a verdade eu andei desejando  mais é que você morresse. De queda, tiro ou puta. Mas que morresse, na verdade eu andei querendo mais é que você se fodesse tanto quanto fodeu com a minha vida, com a minha lucidez, com o que ainda havia de bom em mim. Voltei e me fizeram uma festa. Eu queria morrer e me fizeram uma festa e pra completar a vadia da Claudia só ficava repetindo no meu ouvido como você estava diferente, mais calado mas ao mesmo tempo mais confiante. E ela não parava de falar no meu ouvido me fazendo mil perguntas e eu só queria sair dali, porque estavam me fazendo uma festa e eu não conseguia ficar feliz com aquilo.

Voltei pra casa, sim é tão mórbido quanto dizem, mas você deixou as chaves e enquanto o apartamento estiver disponivel não vejo porque não já que eu também ainda pago por ele. E voltar pra São Paulo pode ser muito doido porque aqui você me incomoda menos do que em Paris ou Londres. Quanto ás argentinas, espero que você pegue uma infestação de xatos e morra de tanto se coçar. Espero mesmo que de alguma maneira você morra mas que antes você se dê conta de como foi cruel, assim como eu fui também quando minha paciência e força de vontade chegaram no limite. Errei, erramos. Vamos carregar essa culpa pro resto da vida, mas ao menos eu sei que fui até o meu limite (se ele é grande ou pequeno é outra história) enquanto você não fez esforço algum.

Se eu estou brava? Não, estou é muito PUTA, como poucas vezes fiquei. Quando é que o amor acaba? Quando é que isso vai acabar? Até quando eu vou ter que ouvir a vaca da Claudia falar sobre você pelo simples prazer de me torturar? Até quando todos vão me perguntar se eu estou bem com aquelas caras de piedade? Porque eles não morrem todos de uma só vez e te levam junto?

Quando é, Néco,  quando será que eu não vou mais precisar tentar adivinhar o que aconteceu, o que acontece dentro de você, da sua cabeça… Será que eu sou tão limitada assim para conseguir entender o que parece ser tão simples pra você?Espero que a Argentina faça por você o que Paris e Londres não fizeram por mim que achei que estava fugindo mas estava andando em circulos atrás do que estava na verdade dentro de mim.

Quando é que o amor acaba? Será que existe esse momento, no meio de uma refeição ou do trabalho que a gente sem perceber deixa de sentir isso que parecia tão grande? Eu achei que não suportaria estar aqui, mas talvez aqui  finalmente eu esteja longe de verdade.

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01 de Fevereiro

Posted in Dela on fevereiro 1, 2011 by Maely

E viver nessa permanente espera. Eu esperei, muito, encontrar você no desembarque, pra logo depois saber que dessa vez foi você quem não agüentou esse peso. E mais uma vez eu esperei você. Pateticamente esperei. E eu esperava que a gente desse certo. E que com você tudo fosse mais leve e mais simples, mas você nunca me deixou. E agora, depois de quase um ano fora, e de mais uma vez ter mudado meu planos por alguma ilusão de tentativa, parece que foi ontem que eu encaixotei as coisas. Quantas vezes eu mudei meus planos esperando que a gente desse certo, e quantas vezes mais eu mudaria todo e qualquer plano. Tanto tempo passou…  Feriados, aniversários, natal e o ano novo passaram sem você, como todos os dias e uma vez uma mulher me disse no metrô francês que um ano não é um dia. Eu não esqueci nada, por Deus… eu não esqueci nada.  Tanto tempo depois e eu não esqueci nada. Não esqueci a maneira como você me olhava, nem como só você entendia as minhas piadas sem graça, e eu ainda sinto o cheiro dos nossos lugares prediletos, só não consigo mais ouvir as musicas que a gente gostava, que eram nossas. E mesmo você tendo me deixado o apartamento (não sabia que você tinha pegado de volta depois que entreguei as chaves) ainda não tive coragem de voltar lá. A vida me empurra pra algum lugar que eu não sei onde é e cada vez mais eu tenho essa dolorida certeza que você não vai estar lá quando eu chegar. Talvez você tenha me deixado em algum lugar do seu caminho, como alguma coisa que se tira da bagagem porque pesa demais e você se dá conta que não precisa daquilo.

Olha,  São Paulo realmente é um lugar que me faz bem apesar do peso do ar. Mas sempre tem coisas que pesam mais. Estranhamente aqui eu me sinto dentro de algum mundo que faz algum sentido embora eu não consiga definir isso muito bem. É como colo de mãe, por mais que a gente brigue com ela é sempre lá que a gente vai chorar. Não faz mais sentido chorar pelo o que julgamos perdido, até porque a gente sempre pode encontrar uma jamanta na esquina e daí em uma fração de segundos quem sabe a vida faça algum sentido.

E essa permanente espera. Ás vezes eu acho que você é a jamanta do meu caminho.

05 de Novembro

Posted in Dela on novembro 5, 2010 by Maely

Déco,

Parada aqui com esse bilhete na mão, é impossível não criar expectativas. Eu decidi parar de dar voltas em torno de mim mesma e estou embarcando de volta pra São Paulo. O que um dia eu chamei de casa. Eu quero voltar, e o medo ainda é grande. No meu melhor sonho você estará no saguão me esperando e nenhuma palavara mais será necessária. Mas eu sei que as chances disso acontecer são tão remotas quanto as de apagarmos tudo o que aconteceu.

Cansei dos bares, cansei das noites sem dormir, cansei da saudade e dos tormentos que eu criei pra mim. Seja aqui ou em São Paulo, eu quero voltar a ser quem eu era e a maior parte do que eu era só existia porque você existia em mim. Numa dessas coincidências do destino, outro dia entrou no trem um rapaz que usava o mesmo perfume que você. Eu sei que você sabe que foi um vexame: Eu ali, no metrô londrino chorando no ombro de alguém que usava o mesmo perfume que você.  Olha só a que ponto cheguei. E agora voltar pra casa também não é um recomeço. Colocar todas as lembranças que eu trouxe pra cá de volta na mala e deixar tudo o que eu vivi aqui talvez seja só uma maneira de recomeçar de onde eu parei. Hoje não sei se deveria ter vindo, nessa fuga que não me levou pra lugar algum. As pessoas que conheci e das quais mal me lembro o nome, em breve serão só rostos sem vida na memória. Porque sem você nada tem cor, nada tem graça. Nem as noites nos pubs e boates que eu sempre quis conhecer tiveram alguma graça sem ter você pra rir da estranheza das pessoas comigo depois. E chegar em casa bêbada e não ter você me dizendo que precisamos “pegar leve” na vodka sempre foi tão triste…

Na verdade eu nunca vim pra cá. Tudo o que havia de melhor em mim ficou na nossa história. E quando eu sentir o seu perfume outra vez, espero que seja em você.

Eu fecho os olhos e sinto o motor do avião.

Amor, Eme.

18 de Outubro

Posted in Dela on outubro 18, 2010 by Maely

Pela janela do trem a paisagem nunca é a mesma. E voltar para Paris talvez não seja a melhor ideia porque  é impossível conviver com aqueles cafés impunemente. E você tem razão quando usa suas metáforas só pra me dizer que nada do que façamos hoje vai mudar o que passou e nem quem somos. E você sabe dos meus medos, de altura, de me entregar, de recomeçar. E hoje eu já acho mesmo que tanto faz estar aqui voltando pra Paris no Expesso Oriente ou estar em um bar qualquer na Vila Madalena. E não tem ninguém sentado ao meu lado. Eu gostei disso, não queria mesmo um vizinho me olhando assustado enquanto eu escrevo pra você, porque eu sempre choro. Já não sei mais não sentir sua falta.

Na parada de Calais, eu pensei em não voltar pro trem, mas lembrei da árvore que tem em frente á janela do quarto que eu divido com a italiana em cima do café. Dá pra subir nela passando pela janela. E talvez você nunca saiba como é bom fazer isso. Mas você sabe como me fazer rir e isso é bem mais dificil do que subir numa árvore qualquer perdida em Paris.

Enquanto eu escrevo, o trem continua mudando a paisagem da janela. E eu já sei que volto pra casa logo, a vida grita e eu preciso deixar ela acontecer.  Ainda que seja perto de você.

24 de setembro

Posted in Dela on setembro 24, 2010 by Maely

Tá frio aqui. E hoje cedo eu fiquei um tempão olhando a neve pela janela, sabe. E aquela rua toda pintada de branco parecia o mesmo vazio que ficou dentro de mim. Daí eu fiquei um tempão olhando pela janela, e perdi a conta de quantos cigarros eu fumei ali naquele tempão que eu só pensava no branco depois da janela. E daí depois não tinha nada, e eu fiquei com medo do depois, desse depois que não tem nada porque eu tenho medo de esquecer acho que você sabe. Porque eu tenho medo desses dias passando e meu Deus, Déco… Já faz tanto tempo e eu não tenho coragem de voltar pra casa e eu também não quero mais ficar aqui e ai, como você ia ficar tão bonito aqui nesse branco depois da janela, eu tenho medo de depois não conseguir sentir mais nada, porque tá fazendo um frio filha da puta aqui e sempre tem um vinho e depois do vinho a gente sempre esquece as coisas. E eu não quero esquecer, eu não quero deixar o tempo passar. Ás vezes chove um pouco depois da neve e a água deixa o branco assim meio barrento e eu fumo mais um cigarro e tiro o sapato e fico ali sentada na janela um tempão olhando a chuva e as pessoas correndo dela e daí eu só queria que o tempo voltasse e tudo fosse como era e eu estaria em casa e teria você roubando meu cigarro e minhas meias e dai a chuva seria mais bonita porque você ia começar a contar uma das suas mil coisas e sabe. Tá mesmo muito frio aqui.

01 de Setembro

Posted in Dela on setembro 1, 2010 by Maely

Déco,

Mais um mês começa, dizem que esses inícios de ciclos são cheios de significados e boas vibrações. Talvez seja, e agora me parece um bom momento de dar um outro rumo ao que alguns chamam de fuga. E você sabe que se eu fosse um pouco menos covarde eu teria ficado, nem que fosse só pra ver no que ia dar.

Cansada de fazer e desfazer malas, agora as roupas ficam por lá mesmo… Se der vontade é só fechar e seguir em frente. Embora todos os lugares ainda pareçam iguais, sempre tem um vento trazendo um ar diferente e no fim das contas eu sei que mais dia menos dia é aí que eu vou parar. E depois de tanto tempo dá aquele frio na barriga, imaginar voltar aos nossos lugares, rever os amigos… Me diseram que o “nosso” apartamento ainda está vazio, deve ser triste passar por lá e só ver o vazio que deixamos. Apartamentos não deveriam ficar vazios.

Sabe, depois de tanto tempo eu não sei mais pegar o caminho de volta. Não saberia ser blasé o suficiente se tivesse a coragem de ligar e dizer oi-como-vai-tudo-bem-com-você-o-que-anda-fazendo e de novo cairia na minha velha armadilha de tratar mal pra não denunciar o amor. Que não acaba. Que ainda está aqui, quietinho, mas vivo. E eu ando ás vezes sem saber pra onde e quase sempre não sei pra onde voltar. Não me sinto em casa em lugar nenhum, sou sempre estrangeira a quem basta uma rede roubada pra poder trabalhar. E daí os dias são sempre meio iguais, cafés, pub’s, lanchonetes… boates, beijos, cigarros, vodka e ressaca.

Tudo porque em algum lugar do caminho eu me perdi de você. E não consigo mais me achar. Quem sabe qualquer dia desses eu esteja bêbada o suficiente pra te ligar e dizer qualquer asneira como:

“-Me come com pão de queijo?”

27 de Agosto

Posted in Dela on agosto 27, 2010 by Maely

Déco,

E mesmo andando por tantos lugares, não consigo me encontrar. Paris não fez sentido, Londres também não… E agora nem faz diferença onde eu estou já que no fim das contas é tudo a mesma merda de sempre, todas as cidades com suas gentes desinteressantes e o transito no fim da tarde e os bares que sempre tem uma lâmapada queimada na soleira da porta. Então não faz diferença quem me beija, se homem ou mulher ou qualquer outra coisa que ao menos se pareça com, porque no fim das contas só estão perdendo seu tempo já que pouco importa onde isso vai dar.

E eu não sei mais por onde você anda. E eu não sei mais nada de você e isso é a pior parte, saber que não sobrou nada do que foi e poderia ainda ter sido tão bonito. Eu sei das coisas que eu estraguei, e sei das culpas que eu tive. E não me sinto mais no direito nada que seja relacionado a você, mesmo que seja perguntar a algum amigo em comum se tem noticias suas. E mesmo não merecendo, eu sinto tanto a sua falta e queria tanto que voltassem os dias em que qualquer bobagem era motivo pra estarmos juntos, mesmo que fosse só pra  dividir um fone de ouvido e ouvir aquelas músicas que a gente gostava “…sem vinho nem cigarros”. E os espaços onde eu sabia que pra onde eu olhasse iria te achar.

O tempo não volta. E eu não sei mais.