8 de novembro

Eme,

Dos olhos, do coração e de tudo o que você já criou, ficou o sentimento e as coisas boas que por si só lhe dizem o que é de fato o importante. Não se iluda com a distância ou qualquer coisa que possa te confundir ainda mais porque hoje aqui, eu sei o que digo pra mim.
Se eu conseguir me encarar no espelho e ver que meu sorriso continua como antes, então valeu. Se eu conseguir continuar dançando de cueca pela casa, então valeu. Se eu continuar fazendo piada de mim mesmo, então valeu.
Você pode não ter acreditado no escreveu e/ou nada disso ter se confirmado como se imaginava pelo roteiro antigo ainda, mas dos olhos, do coração e de tudo o que você criou, ficou uma ponta de vontade e desejo de fazer dar certo, seja o que “dar certo” signifique.

Eu ainda não estou pronto pra isso. Mas você vai notar que nosso apartamento continua lá, quase do mesmo jeito que você deixou quando saiu. Eu só mudei a disposição de uns tapetes, troquei os móveis de lugar, consertei o lustre do quarto, coloquei lâmpadas econômicas…

Preciso voar. Como você fez. Preciso me perder por ai e conseguir voltar sem ajuda de ninguém. Tenho que aprender a me virar sozinho num lugar onde não há muitas possibilidades de alguém correr pra me acudir. Além do mais, quero transar com alguma argentina num clube em Buenos Aires. Quero transar com alguma puta mexicana em Tijuana. Quero participar de um swing em alguma boate de Houston. Quero transar com uma japonesa pentelhuda, vestida com aqueles tradicionais vestidinhos de uniforme escolar, em Tóquio. Quero transar com alguma tailandesa que saiba tatuar alguma coisa misteriosa que todo mundo vai me perguntar o que significa. Quero transar com uma italiana peituda que eu por acaso conheça num café em Milão. E quero transar de novo com uma moça do cabaret embaixo da Pont d’Iena lá em Paris.

Certamente que posso te encontrar no aeroporto, mas não espere que eu volte com você pra casa. Mas… bem que você pode tentar me convencer.

Tenho oitos pra te dar!

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Uma resposta to “8 de novembro”

  1. Quem sabe os olhos não decidam pelos corpos?

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