Arquivo para agosto, 2010

27 de Agosto

Posted in Dela on agosto 27, 2010 by Maely

Déco,

E mesmo andando por tantos lugares, não consigo me encontrar. Paris não fez sentido, Londres também não… E agora nem faz diferença onde eu estou já que no fim das contas é tudo a mesma merda de sempre, todas as cidades com suas gentes desinteressantes e o transito no fim da tarde e os bares que sempre tem uma lâmapada queimada na soleira da porta. Então não faz diferença quem me beija, se homem ou mulher ou qualquer outra coisa que ao menos se pareça com, porque no fim das contas só estão perdendo seu tempo já que pouco importa onde isso vai dar.

E eu não sei mais por onde você anda. E eu não sei mais nada de você e isso é a pior parte, saber que não sobrou nada do que foi e poderia ainda ter sido tão bonito. Eu sei das coisas que eu estraguei, e sei das culpas que eu tive. E não me sinto mais no direito nada que seja relacionado a você, mesmo que seja perguntar a algum amigo em comum se tem noticias suas. E mesmo não merecendo, eu sinto tanto a sua falta e queria tanto que voltassem os dias em que qualquer bobagem era motivo pra estarmos juntos, mesmo que fosse só pra  dividir um fone de ouvido e ouvir aquelas músicas que a gente gostava “…sem vinho nem cigarros”. E os espaços onde eu sabia que pra onde eu olhasse iria te achar.

O tempo não volta. E eu não sei mais.

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19 de Agosto

Posted in Dele on agosto 19, 2010 by .

Eme,

Até ontem mesmo eu podia jurar que não me apaixonaria e acaso acontecesse, eu tinha planejado não me envolver completamente, não pular de cabeça nesse riacho, que mesmo fundo era estreito e agitado. Mas lá fui eu me entregando, porque de certa maneira era o mais certo a fazer. Você era todo o resultado de tudo o que eu tinha pensado pra mim e não podia me desapontar e muito menos a você. Mas a vida vem com suas fanfarronices, não é?!

Parecia que eu tinha tudo sobre controle e tudo o que a gente havia criado pra gente, em todos os sentidos, caminhava pro certo. E de repente um castelo vai ruindo com todas essas mesmas coisas dentro e custa entender o motivo… Enfim, eu só quero dizer que eu deveria ter pedido ajuda, porque depois disso eu me vi completamente perdido e continuar vivo não fazia sentido algum. Pular do Sta Ifigênia era o mais aceitável já que nenhum lugar no universo podia ser, no mínimo, confortável. Veja, na minha cabeça o problema sempre foi eu. E eu me culpei muito por uma culpa que você não quis assumir. E de um minuto pro outro também não via mais sentido em tudo o que a gente tinha construído de bonito e que naquele instante não servia pra nada. Tem ideia do que é preparar a vida esperando alguém e ver tudo isso desmoronando sei lá porque? Mas, sendo bem sincero, essa não é a sua culpa e o problema disso é todo meu. Fui eu que achei que você era a mulher da minha vida miserável. E dai pensando nisso, com esse ponto de vista, relativizando todos os erros, você bem teve razão de se distanciar e não querer mais nada com alguém que antes de você tinha uma vida miserável. Lembra de Bartleby e do meu medo em me transformar em algo parecido? Aconteceu.

Me perguntam se eu ainda gosto de você e eu não sei responder com firmeza. Talvez eu te ame pra sempre e só não queira mais estar com você ou qualquer coisa do tipo. Isso é o que parece mais seguro dizer agora nesse momento, porque é o jeito que consigo transcrever o que eu pareço sentir. Mas você, não me deixe te enganar, ainda está em tudo por ai. Mas não deixe que você me engane também, eu aprendi que o amor não é suficiente…

A vida até que anda, na medida do possível e provável, muito instigante. É questão de erguer a cabeça, bater no peito e sorrir. E de me mostrar interessante pra que talvez alguém pegue a isca. Quero dizer, hoje, você me faz falta, como sempre fez. Mas te preciso mais minha amiga do que tudo. Preciso de você por perto. Mas o que fazer se quem pode te salvar é também quem te faz sofrer? Eu até penso em arriscar, mas não me sinto preparado pra deixar o que ficou pra trás, pra trás…
Pra encerrar, eu tenho pensado muito numa coisa que o Bono escreveu: “Well, it’s too late, tonight, to drag the past out into the light. We’re one, but we’re not the same, we get to carry each other, carry each other…”

Pro bem ou pro mal… é a verdade.