Arquivo para junho, 2010

17 de junho

Posted in Dele on junho 17, 2010 by .

Hoje eu acordei de madrugada. O estrado da cama caiu. Eu fiquei assustado, igual quando eu cochilo no sofá da sala e sonho, meio dormindo meio acordado, que tô conversando com alguém que tá falando o que na verdade é a TV ligada, e invariavelmente eu tropeço ou tomo um tombo de uma escada. E daí eu literalmente dou um pulo no sofá, o corpo todo treme, dá um gosto ruim na boca. Enfim. Acordei de madrugada, o estrado caiu. Era 3 e 28 da manhã. Eu vi no celular. Eu durmo com o celular colado no travesseiro. Primeiro porque tem o despertador programado pra tocar todos os dias às 7 e 35. O alarme dele chama “Minuet”. Segundo porque antes de dormir eu ouço um pouquinho de rádio. E, por fim, porque eu alimento bem lá no fundo a idiotice de ter esperança que talvez numa hora dessas você possa telefonar ou ao menos mandar uma mensagem. Antigamente eu ia pra cima e pra baixo com o celular, só por esse motivo, já que agora só uso o celular pra emergência. Ele servia mesmo era pra falar com você. Enfim. Acordei de madrugada, o estrado caiu às 3 e 28 e o celular desperta às 7 e 35. Tirei o colchão e os cobertores que se enrolaram e caíram no chão. Eram dois, um cobertor pesado e uma manta dobrada no meio. Tinha o lençol ainda, que prendeu no parafuso da armação da cama e caiu rente a parede. E o par de meia que estava nos meus pés na hora que fui dormir, também caiu rente a parede. Enfim. Acordei de madrugada, o estrado caiu, o celular daqui a pouco desperta, os cobertores caíram no chão e meu pé tá gelado agora. O chinelo foi chutado pra perto da porta e eu comecei a tossir. E pensei em descer na cozinha fazer um chocolate quente. Mas antes coloquei o estrado no lugar e com a ajuda do martelo dei umas batidas nos pregos e nas partes que juntam a armação. E esse som seco das batidas do martelo me dá dor de cabeça. Parece que perfura o ouvido e ecoa por dentro mais do que já ecoa no quarto. Enfim. Um chocolate quente podia resolver o frio do corpo naquela hora, podia resolver o pigarro na garganta, podia abrandar um pouco alma… Eu sei que tristeza não mata. Mas devia.

Eu passei meu aniversário sozinho, sem nenhuma comemoração especial. Comprei um bolo no mercado e sorri com umas coisinhas bem bestas que me vieram sem motivo algum. Me lembrei de mim no espelho fazendo careta, quando mais novo, penteando o cabelo. E eu trazia um segredo nos olhos. Talvez o segredo do tempo. E talvez só não tenha conseguido desvendar a charada. Pensei numa coisa engraçada que Aristóteles disse, algo como “a felicidade é ter algo pra amar, algo pra fazer e algo pra esperar”. Meu sorriso me conforma mais em não ter motivação alguma pra aplicar isso a nada que me é comum.

Eu não tô triste. Tô é chateado com um monte de coisa, sim. Mas nenhuma que justifique de verdade. É a acomodação que vibra mais alto que qualquer vuvuzela. A coisa é simples: Você nem precisava voltar. Eu só queria um abraço seu,  um abraço longo e apertado. E queria que me dissesse que tá tudo bem.

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8 de Junho

Posted in Dela on junho 8, 2010 by Maely

Déco

Eu não sei mais ser quem eu era. Não que você tenha alguma coisa a ver com isso, mas eu sei que é pra você que eu tenho que dizer essas coisas. Só porque é em você que a melhor parte de mim ainda resiste. E eu não sei mais sorrir, não sei mais ter vontade de nada. E a vida vai passando assim devagarinho e tão sem sentindo que ás vezes eu acho que a única coisa que talvez me reste seja gritar. Só que ninguém vai me ouvir. E eu não tenho mais o seu colo pra deitar e sentir que é só questão de tempo pra tudo ficar bem de novo. Eu não sei mais voltar atrás e nem andar pra frente. Parei no tempo, no instante daquele abraço que foi tudo o que eu esperei tanto tempo pra saber que eu não ia ficar sozinha de novo. Mas o amor não bastava. E devia sabe, porque eu penso em como era pra estar tudo bem, eram esses os dias em que nós deviamos estar sorrindo e fazendo planos ao invés de tão longe. E eu não sei mais ficar em paz. E também não sei esquecer. Como eu poderia? Como é possível esquecer todas as vezes em que você me salvou de mim mesma? E você nem sabe quantas… Mesmo que eu escrevesse outras mil histórias pra mim não seriam suficientes pra sequer chegar perto de tudo o que eu quis pra nós.

Se somos mesmo assim tão parecidos, me ensina a aprender a viver sem a sua mão ao alcance da minha. Porque eu não sei mais me equilibrar sozinha. Me diz então pra onde eu vou, Londres não é mais suficiente. Nenhum lugar será enquanto eu não encontrar você depois da esquina.

De amor e de saudade.

M.

01 de junho

Posted in Dele on junho 1, 2010 by .

É, eu sei. Mas não à toa. Entenda que eu sou mais um entre a gente. Não que isso seja desculpa. No fundo quero te buscar pra mim como você sonha que eu faça. E eu tenho tanta vontade de andar por Londres que talvez esqueceria de você ai. E esse foi sempre o maior problema. Tirar uma parte minha pra te completar sempre foi melhor e ainda assim eu guardava minhas vontades só pra mim. Sendo direto, a sua parte da minha vida era tão grande que só cabia você nela. Me sobrava consentir por aquilo que ainda era só meu e que continuava só porque parecia menos pior. Só que isso nunca foi desculpa pra você e desde o primeiro dia eu sabia que não ia te fazer entender. O seu jeito de ter direção e o meu eram contrastantes, e até que de certo modo isso nos deu espaço e coragem pra segurar a bomba enquanto ela estourava. Nos deixamos ouvir pela entrelinhas do que não era dito. Apenas imaginar e não criar a certeza dentro da gente foi o que afundou de vez e eles tem razão quando dizem que nem o que é mais bonito tem mais força do que a força que a suspeita levanta. Seja como for, a porra da minha história tava indo muito bem, obrigado. Me considerava cada vez mais pronto pro que viesse e fosse de enfrentar. Eu queria o que você queria e pode não parecer, mas eu quase abria mão da minha vida pela sua. E sei que isso é um problema mesmo que não fosse um problema pra mim. Acontece que cansei de te pedir desculpa e tudo o que me cabe em ser direto já seria suficiente pra encerrar qualquer assunto sobre a gente. Esse eu te amo devia ter bastado pros dois. Mas eu também não te perdoo por isso. E bem porque você inventa umas abobrinhas pra remediar a situação e mudar o foco do problema. E falo dessa coisa de colocar palavras na minha boca ou coisas que dão a impressão que sou eu que penso. Enfim… a porra da minha história tava indo muito bem também. Só que mesmo doendo muito por admitir isso, eu não te culpo como um dia eu te gritei e só entendo isso agora, porque agora eu sei o que doi e o que só faz cócega.

Posso pedir um favor? Não se incomode com o Ipiranga ou com qualquer outro bairro. Eles são todos iguais. O sol bate, a chuva cai, faz frio e calor em todos eles. O que importa, se é que importa, é só o modo de ver. E eu estaria em todos eles se fosse o caso. Bem como você está em qualquer estação de metrô ou trem. Você devia saber que eu não te deixaria passar do outro lado da rua sem falar com você e talvez esse seja o seu problema. Isso te irrita, porque no fundo você até torce pra que eu assim faça e você tenha razão, mais uma razão, pra poder mesmo de tão longe, ser tão besta.

Não temos saída na verdade. É questão de, quando não existir a opção de ser feliz sempre, optar por estar em paz.