Arquivo para maio, 2010

19 de Maio

Posted in Dela on maio 19, 2010 by Maely

Inglesinha punk-rock é o caralho. O Soho é uma merda, uma infinita merda. Merda, merda, merda. E eu só queria estar em casa, porque você e toda essa situção me fizeram vir pra cá e eu não tenho mais coragem de ir embora. Não tenho mais coragem de voltar, nem pra casa nem pra você.

E sabe, to pouco me fodendo pra Cláudia, pra Kelly e pra quem quer que seja que esteja gostosa. Não faz diferença quem deita na sua cama enquanto eu souber que ainda estou no seu coração, nas suas lembranças. E você nunca foi bom mesmo com promessas. Faz um frio dos diabos aqui e eu só consigo me culpar por ter sonhado por nós dois. Porque na minha cabeça você era exatamente o que eu precisava e contrariando qualquer previsão nós dariamos certo. Mas você estragou a minha fantasia e eu, menina birrenta e mimada, não aceitei que você inventasse outra.

Porque era a minha história. Era a porra da minha história, e eu não queria mudar o roteiro. Mas você cagou pra tudo isso, porque a sua história talvez fosse mais importante, mais emocionante, mais movimentada… E talvez tivesse uma montanha russa nela, mas eu não gosto de montanha russa. Eu odeio montanha russa, o que tem de errado com o carrossel?

Você acabou com a minha história só porque eu tinha te re-desenhado dentro dela. Mas era tudo tão perfeito, e hoje você me parece tão melhor na minha história do que é de verdade.

Não consigo imaginar um lugar melhor pra morar do que o Ipiranga. Eu daria qualquer coisa pra viver lá também, só pra poder ficar um pouco mais perto de você e te ver andando cedo com sua cara mal humorada e o cigarro que eu invejo porque está sempre perto de você enquanto eu só tenho as lembranças dos planos que eu fiz pra nós. E talvez você fingisse não me ver, mas sabe… Eu não me importaria, como não tenho me importado com quase nada além dessa saudade irracional que eu sinto de você e que vai me dando uma raiva insuportável, porque eu sei que  se estivessemos perto eu certamente te trataria tão mal que você me odiaria. Mas eu preciso me defender, e não é de você, é de mim e do amor que eu ainda sinto e não tem adiantado muito estar tão longe.

E sim , tem sido um tempo muito longo. Mas onde é que existe saída pra nós?
Você precisa de mim pra se salvar.
Eu preciso de você para existir.

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07 de maio

Posted in Dele on maio 7, 2010 by .

Olá minha inglesinha punk rock, tudo bem ai pelas bandas do Soho? Você ainda almoça no Pizza Express? Londres é um bom lugar pra você. Você é um bom lugar pra Londres, se é que me entende…

Essa semana aprendi muita coisa sobre mim. Primeiro: sou a porra de um Maverick! Porque tenho o meu ritmo. Me pareceu uma ótima metáfora. Eu vesti a carapuça. Segundo: tô alto, tipo um foguete acima do mundo. E quanto mais alto mais pirado. Vestindo carapuças, me esquivando da vida, me escondendo do mundo e de quem quer me ver. Então acho que chegou a hora de jogar meu pintinho pra revirar o lixo pelos cantos. Não que qualquer boca, pele ou buraco vai me fazer bem, ao contrário, mas a condição que tem se aproximado é essa. Eu mesmo não me convenço mais das minhas promessas. Não quero mais gastar seu tempo te fazendo se importar com isso, porque no final, apesar de sermos só nós dois, você está livre. Há quanto tempo não te vejo? E mal me dei conta disso. Mas é como se eu fosse a porra de um Maverick. E pelo menos por esse ponto de vista eu tenho classe.

Essa semana teve festa na Cláudia e esse pessoal é todo doido. Colocaram umas músicas pra tocar num repeat infinito e ficavam fazendo a piada do “aham Cláudia, senta lá” o tempo inteiro. E dai minha vida parece, às vezes, um disco do Keane. É melancolicamente lindo. Tudo se encaixa e tem referência do que eu sinto e gostaria que você ouvisse pra tentar entender o que eu não consigo explicar. Eu bebo, tenho bebido mais e tem sempre um chato pra dizer que se preocupa comigo e que eu não tô me cuidando como devia e que você fudeu com a minha vida. É bom lembrar que eu mesmo te disse que você fudeu com a minha vida, mas prefiro sempre lembrar que você fodeu comigo. Que por centenas de inúmeras vezes eu estive dentro de você. Mas não me deixam que eu mesmo me culpe por isso e vista mais uma carapuça sem todo o apoio e ajuda necessários pra que eu me esqueça de tudo e ande na fila dos solteiros. A Claúdia tá bem gostosa, mas se eu for pensar nisso, a Carla, a Izabel, a Kelly, todas elas estão. E eu não sou bom com escolhas. Transar com você não tem preço, pra todas as outras existe a punheta.

Tô querendo me mudar pro Ipiranga, pra perto do metrô novo, não sei porque. Mas gosto da sensação que me causa aquele lugar. Talvez seja o céu que pareça diferente, talvez seja lembranças mais antigas de quando eu passava por lá de carro com meus tios, ou mais antigas ainda que só me recordo da tal sensação. Mas no fundo acho que assim que montasse acampamento por lá, eu sentaria de frente pra alguma janela e choraria copiosamente. Chorar é tudo o que faço bem ultimamente, faço com gosto. E esse sou eu desistindo de ser o Superman. Tô começando a tomar Activia com Johnnie Walker, como diz a piadinha que também aprendi na festa.

E dai, enquanto escrevia essa porcaria, o Manolo cantava e me disse assim: “então esqueça esse barulho e vá dormir” E eu vi a merda que fiz, que você fez e que nós dois fizemos e tão adulta, madura e abertamente não falamos mais nisso. Somos duas crianças fugindo. Só não confesso que todo dia eu te quero de volta e não pensaria duas vezes. E eu acho que esse tem sido um tempo muito longo.

Pra constar, meu novo herói atende pelo nome de Hank Moody. E tanto ele quanto eu subimos muito, de diferentes jeitos, e aqui em cima é solitário.

Eu preciso de você pra me salvar.