Arquivo para abril, 2010

30 de Abril

Posted in Dela on abril 30, 2010 by Maely

Déco

Estar longe nem sempre quer dizer estar distante. Mesmo evitando, muitas vezes é impossível deixar de ter noticias de você. E então eu também te vejo daqui de tão longe. E acabo estando perto, mais perto do que seria saudável nesse momento. E não sei mesmo se sou capaz de saber o que é melhor pra você, porque toda tarde quando eu estou no metrô a única coisa que sou capaz de raciocinar são sempre as mesmas duas perguntas: O quê eu ainda estou fazendo aqui? O que ainda estamos fazendo longe um do outro?

Mas toda vez que o trem para e eu tenho que subir á rua, é como voltar á realidade. Porque voltam todas as suas promessas não cumpridas, todas as juras vazias e todo o resto. Então, meu amor… Por mais que meu coração teime em não me ouvir, eu não quero e não preciso das suas palavras lisas, porque eu já as ouvi e sei bem o quanto elas são vazias. E sei que posso te dizer isso sem causar mágoas, justamente por você confiar tanto em mim. Não sei se ainda sou capaz de saber realmente o que é melhor pra você. Tantas vezes é quase irresistível te dizer que o melhor pra você teria sido ficar comigo. E é tão sofrido não ter coragem de dizer isso, assumir pra mim mesma que ainda existe tanto amor depois da tormenta.

Londres não é interessante durante o dia, é só mais uma cidade qualquer, exceto por ter mais gente exótica na rua do que estamos acostumados. Mas os pub’s fazem a noite valer a pena, tem o Blues que eu tanto amo, e isso por si só já deveria ser suficiente. O fog é sempre uma delicia, principalmente de manhã e as pessoas aqui acordam tão mal humoradas quanto você.  E é comum eu achar que numa dessas esquinas, assim como num passe de mágica, eu vou encontrar você. Porque essa cidade parece ter sido feita pra você. Mas daí a esquina passa e eu acordo do sonho e você ainda está tão longe. Ou sou eu quem está. Já não sei mais.

Amor amor amor.

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24 de abril

Posted in Dele on abril 24, 2010 by .

Você não merece palavras lisas e simples. Nunca. Por isso já não sei mais por onde começar. Perdi todo charme que tinha pra qualquer jogo de sedução possível. Não sei se quero que entenda isso. Talvez você seja a única que pode me ajudar com o que eu posso fazer da minha vida. Eu queria, no fundo, ser muito mais seu do que sempre fui. Talvez só por segurança. Por saber em você, o meu porto seguro. Você tem passado por mim por completo. Ainda te seguro os dedos… Mas é passado.

Fico te pensando aqui, você está em Londres. Sei lá pensando em que. Mas queria poder te ver agora. Porque a vida sem você fica bem sem graça. Seja lá como ela é agora pra mim. Só queria que você me dissesse o que fazer. Qualquer coisa. Eu preciso disso vindo de você. Preciso que você saiba quem são as garotas que eu conheço e decida quais valem à pena. Porque em você eu confio e não sei mudar isso. Não sei mudar esse nosso amor dolorido-colorido. E dói seguir sabendo só disso.

Minhas euforias são contidas. Porque quase desisto antes mesmo de tentar. E assim sei, tenho certeza inclusive, que é melhor mesmo pra você ficar longe de mim. Você sempre esteve certa e sempre teve razão nesse ponto. O que quero dizer é que preciso de você muito mais que você de mim…

O começo das coisas é pra ser distante do fim.

16 de abril

Posted in Dela on abril 16, 2010 by Maely

E eu só queria dormir, sabe. Porque no dia em que eu morri tinha sol mas fazia frio lá fora, e eu só passei aquelas horas olhando pela janela, esperando o fim. E agora Paris não tem mais graça. E agora nada mais tem graça, nem o vinho que sempre me fez esquecer. Só porque lembrar de você dói, e eu sofro. Deve mesmo ser uma recaída, mas isso também não tem graça.

E cansa fazer e desfazer malas. Cansa fazer e desfazer uma vida. Agora escolhi Londres, porque tem o fog e tem a música… Talvez eu encontre a Lily Allen numa daquelas boates bacanudas e olha! Uma pequena euforia! A.ha.ha. Pena que, talvez como nós, dure tão pouco. Whatever?

Hoje, um amor dolorido-colorido.

P.S: Paris é clichê mas não teve um pingo de graça, desconfio que o vinho daqui não deve ser lá muito bom.

9 de abril

Posted in Dele on abril 9, 2010 by .

(escrito em 8 de abril de 2010 – A carta de ontem que nunca foi)

Você precisava me ver. E nem ao menos se parecia comigo. E qualquer coisa já dura mais agora. E ainda tem o coração. Tem também um rosto (geralmente igual ao seu) que parece estranho mas a gente olha e depois acaba esquecendo. Bem porque não é o mesmo. Dai que eu já consigo fazer as coisas sozinho. Consigo escolher o que comer no McDonald’s ou no Spolleto. Mas tudo tem uma compensação e eu não consigo mais ouvir algumas das bandas que eu gosto. É a minha permissão de continuar o que não devia. Típica auto-piedade.

Tenho visto gente nova e diferente. E eles são estranhos. Os colegas de trabalho são legais e tal… E a isso me basta observar, porque em algum momento acontece tudo e eu não quero mais perder nada. Tenho me divertido. Assim. O resto já não importa. Não mais. Mesmo que eu não faça disso a certeza que está tudo bem agora. Talvez nunca melhore de verdade.

E digo isso porque tenho vontade de adeus. “Adeuses” aos montes. Mas tenho sido mais livre que nunca. E isso me assusta muito. Aprendo a fingir ou o quê? As pessoas nem percebem ao certo. E eu descendo a mão no dane-se. Uma hora eu aprendo que não há o que aprender e dai continuo sorrindo. E os adeus serão menores ou mais precisos e preciosos. Como o tempo. Implacável.
Mas de felicidade, só se guarda no abraço. E te sinto falta nisso. Porque chorar a tristeza às vezes dói menos que chorar a felicidade. Tenho oitos pra ti.

O mesmo amor de sempre.

05 de abril

Posted in Dela on abril 5, 2010 by Maely

Déco,

Não sinta inveja da minha mala, ela é pesada. Tem o peso das promessas não cumpridas, das horas interminavéis dos silêncios que pesavam na alma e do vão que as mãos sempre faziam por nunca te alcançar.

Eu sei que você não gosta de Paris, mas é clichê e vez em quando tudo o que se quer é uma vida de clichês, coisas bobas como casa-filhos-cachorro-um-emprego-estável-viagem-de-feriado. Como nada disso foi possível até aqui, Paris-clichê me pareceu razoável.

E eu ainda acho engraçadinho esse seu jeito de dizer uma coisa querendo dizer outra, embora eu quase nunca consiga descobrir o que você quer dizer na verdade.

Mesmo você não gostando Paris é bonita no outono, no fim de tarde quando cai uma garoa fina e as pessoas se aquecem tomando seus cafés e vinhos nas mesinhas das calçadas, eu sempre gosto de imaginar como isso te aborreceria e no fim seria até engraçadinho. Mas como todo clichê Paris cansa. Cansa o borburinho das pessoas, cansa esse tempo cinza que só serve pra trazer lembranças, cansa ter que sair e sorrir como se eu realmente estivesse em alguma coisa que pelo menos soasse como feliz.

É, vou embora. Mas pelo menos por enquanto, sim você pode ficar com São Paulo só pra você. Encontre mais meninas no metrô, beije mais, assista mais shows no parque, seja mais você, retome a parte da sua vida onde eu nunca estive e escreva uma nova história pra você. É nobre continuar apesar de.

Daqui vou pra outro lugar, o lugar em que o dedo parar o globo. Meu amor de sempre vai em mim. E fica com você.

O mesmo amor.
E mais saudade que o de costume.