Arquivo para fevereiro, 2010

26 de fevereiro

Posted in Dela on fevereiro 26, 2010 by Maely

Hoje eu começei a encaixotar as coisas pra entregar o apartamento. Que era nosso… No meio da bagunça achei um daqueles cd’s de músicas estranhas que você tanto gosta e sabe, fiquei ali, parada, imóvel, com o tal cd na mão me perguntando mil vezes o que deveria fazer com ele. Não sinto que haja um espaço pra qualquer aproximação entre  nós, mesmo que seja simplesmente pra entregar um cd esquecido.

E foi irresistível. Ouvir de novo aquele som tão estranho e ao mesmo tempo tão familiar. E por um momento tinha o barulho da sua chave na porta, e tinha o seu sorriso entrando pela casa, e o seu cheiro que sempre completava o meu quadro de momento perfeito. E puf! Acabou, acordei do transe. Talvez esses momentos de amarga  nostalgia existam pra me fazer ter certeza que ir embora é o melhor.

Semana que vem entrego as chaves e embarco. Vou viver sozinha o sonho que tivemos juntos.

Meu amor de sempre, pra você. Ao som de uma das suas músicas estranhas.

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20 fevereiro

Posted in Dele on fevereiro 23, 2010 by .

Minha Flor, nunca vou perder esse costume também, de te chamar da maneira mais debochada que eu puder.

Lembro, pra dizer a verdade, muito pouco da gente junto. Só tenho as sensações. E por vezes, mesmo as mais tristes são valiosas, entende? Esse nosso desencontro frequente me faz companhia ainda, pelas madrugadas. Meus cigarros têm um certo cheiro seu. Tudo que me diz respeito ainda guarda um clima. Tento me desapegar por vezes de sua lembrança, tento me ocupar mais, mas mesmo assim é definitivo nas horas do meu dia. Não. Não sinto mais necessidade sua, e nem falta. Muito menos isso. Ou quase tudo menos isso. Ainda penso sim em você na cama. Seja dormindo ou bem acordada…

Tenho trabalhado demais e nem sei porque. Aqui entre nós: ando cansado de tudo. Dessa vida “nova”. Por várias vezes eu pensei em te ligar pra gente combinar de fazer alguma coisa como antes, como no começo. Em razão de um bem comum e tal. Mas acho que você não gostaria. E eu acho que eu também não. Mas é assim que eu lido com isso. Você sabe bem. Tento não ser confissional demais e não consigo. Me culpo, me recrimino e nem ao menos me convenço. Nem é nada.

Quanto aos amigos, invente coisas. É sempre mais divertido. Eu mesmo já me peguei mentindo sobre nós à quem nem ao menos nos conhecia como um casal. Acho que serve pra esconder um pouco o rosto, mesmo quando se tem certeza do que está feito. Seja como for, apesar de.
Te desejo boa viagem. Vai ser bom eu penso. O mundo consegue nos surpreender sempre. Sei que seu coração agora dói e acha que está em desvantagem. E sei só porque eu me vejo perdido por aqui e… bom… deixa isso pra lá. Talvez uma outra vez. Quero dizer apenas, que aproveite.

E acredite que nada pode tirar de mim tudo o que eu lhe disse.

O mesmo amor de sempre.

18 fevereiro

Posted in Dela on fevereiro 21, 2010 by Maely

 

Querido,

Ainda posso te chamar assim? Nem ao menos sei se ainda posso te chamar de algum jeito. Mas não escrevo pra me lamentar, afinal eu não sou assim, nunca fui. Não seria diferente agora. Escrevo porque não tenho coragem de ligar, não tenho coragem de ligar pra você. E é tão estranho isso, depois de anos tendo a minha vida tão entrelaçada á sua, não tenho coragem de te ligar. Porque não suportaria qualquer reação negativa sua, eu te diria que estou bem mas sinto a sua falta. Estou bem mas ainda espero o barulho da sua chave na porta no fim da tarde. Estou bem, mas.

Sabe que outro dia achei uma camisa sua no armário? E me peguei olhando aquela camisa que é só o que restou de você aqui, o que restou de nós. Me perguntei se você a tinha esquecido ou simplesmente deixado esse talvez único elo com um tempo que não existe mais.

Os amigos ainda perguntam de você e é tão constrangedor fazer uma cara de “tudo bem” e dizer que acabou, que estamos bem, que ainda somos amigos apesar de. Mas estou aprendendo.

Semana que vem eu entrego o apartamento e viajo, não sei quando ou se volto. Vou pra um dos tantos lugares que planejamos ir juntos, mas vou sozinha. Que grande ironia a vida. Gostaria de poder me despedir de você, de mandar noticias e perguntar de você. Mas acho melhor não. Lembra  quantas vezes eu te disse que ás vezes quando se perde se ganha? Tenho torcido muito pra que isso seja verdade porque enquanto a sua ausência tem esse peso e essa dor, eu só sei que perdi.

Pra você, meu amor de sempre.