05 de Novembro
Déco,
Parada aqui com esse bilhete na mão, é impossível não criar expectativas. Eu decidi parar de dar voltas em torno de mim mesma e estou embarcando de volta pra São Paulo. O que um dia eu chamei de casa. Eu quero voltar, e o medo ainda é grande. No meu melhor sonho você estará no saguão me esperando e nenhuma palavara mais será necessária. Mas eu sei que as chances disso acontecer são tão remotas quanto as de apagarmos tudo o que aconteceu.
Cansei dos bares, cansei das noites sem dormir, cansei da saudade e dos tormentos que eu criei pra mim. Seja aqui ou em São Paulo, eu quero voltar a ser quem eu era e a maior parte do que eu era só existia porque você existia em mim. Numa dessas coincidências do destino, outro dia entrou no trem um rapaz que usava o mesmo perfume que você. Eu sei que você sabe que foi um vexame: Eu ali, no metrô londrino chorando no ombro de alguém que usava o mesmo perfume que você. Olha só a que ponto cheguei. E agora voltar pra casa também não é um recomeço. Colocar todas as lembranças que eu trouxe pra cá de volta na mala e deixar tudo o que eu vivi aqui talvez seja só uma maneira de recomeçar de onde eu parei. Hoje não sei se deveria ter vindo, nessa fuga que não me levou pra lugar algum. As pessoas que conheci e das quais mal me lembro o nome, em breve serão só rostos sem vida na memória. Porque sem você nada tem cor, nada tem graça. Nem as noites nos pubs e boates que eu sempre quis conhecer tiveram alguma graça sem ter você pra rir da estranheza das pessoas comigo depois. E chegar em casa bêbada e não ter você me dizendo que precisamos “pegar leve” na vodka sempre foi tão triste…
Na verdade eu nunca vim pra cá. Tudo o que havia de melhor em mim ficou na nossa história. E quando eu sentir o seu perfume outra vez, espero que seja em você.
Eu fecho os olhos e sinto o motor do avião.
Amor, Eme.
novembro 5, 2010 às 11:38
É tão profundo, espero que essa volta mostre que as vezes, só as vezes, o verdadeiro caminho está ali, na porta de casa!!!
novembro 6, 2010 às 20:50
Lindo texto.
E ainda seguindo o raciociocinio da Belinha…
As vezes o recomeço…está no mesmo lugar. Não precisamos mudar pra recomeçar.
Bem vida de volta ao lar.