18 de Outubro
Pela janela do trem a paisagem nunca é a mesma. E voltar para Paris talvez não seja a melhor ideia porque é impossível conviver com aqueles cafés impunemente. E você tem razão quando usa suas metáforas só pra me dizer que nada do que façamos hoje vai mudar o que passou e nem quem somos. E você sabe dos meus medos, de altura, de me entregar, de recomeçar. E hoje eu já acho mesmo que tanto faz estar aqui voltando pra Paris no Expesso Oriente ou estar em um bar qualquer na Vila Madalena. E não tem ninguém sentado ao meu lado. Eu gostei disso, não queria mesmo um vizinho me olhando assustado enquanto eu escrevo pra você, porque eu sempre choro. Já não sei mais não sentir sua falta.
Na parada de Calais, eu pensei em não voltar pro trem, mas lembrei da árvore que tem em frente á janela do quarto que eu divido com a italiana em cima do café. Dá pra subir nela passando pela janela. E talvez você nunca saiba como é bom fazer isso. Mas você sabe como me fazer rir e isso é bem mais dificil do que subir numa árvore qualquer perdida em Paris.
Enquanto eu escrevo, o trem continua mudando a paisagem da janela. E eu já sei que volto pra casa logo, a vida grita e eu preciso deixar ela acontecer. Ainda que seja perto de você.
outubro 26, 2010 às 15:53
Não tem como fugir da vida… ela precisa acontecer! Mesmo que doa…
novembro 4, 2010 às 15:02
E às vezes ela dói…
Você escreve muito bem, me senti ‘voltando pra Paris no Expesso Oriente’ escrevendo (como sempre faço) para aquele meu amor que um dia deixei por querer viver! Lindo..
A pior escolha que se pode ter é escolher entre a sua vida e seu grande amor…
Beijos e luz